De atleta a professor e palestrante,
a vida de desafios vencidos
de Vanderlei Quintino

Perfeitamente adaptado à realidade depois de perder uma perna em um acidente, ele se transformou em para-atleta, professor, palestrante e coordenador de projetos paradesportivos e agora convive com um problema de visão, sem deixar que ele atrapalhe sua jornada Quintino trocou o futebol pela natação ao perder a perna esquerda e acabou virando atleta paralímpico.


Na adolescência, estudante de Colégio público, Vanderlei Pedro Quintino jogava bola no campo do São Luís. Entre as duas fases da vida, muita coisa aconteceu: ele trocou o futebol pela natação, perdeu a perna esquerda num acidente, virou atleta paralímpico, enfrentou uma deficiência visual e encarou muitos desafios.Sempre com o mesmo pensamento de chegar ao limite, apesar das deficiências”, diz Quintino, atualmente coordenador da equipe APJ-Associação Paralímpica de Joinville , com apoio da AABB, onde treina os nadadores.

Quintino nasceu no dia 5 de julho de 1973, em Joinville. Criou-se no bairro Floresta e fez a carreira escolar nos colégios Elias Moreira, Virgínia Soares e Plácido Xavier Vieira, até formar-se técnico mecânico pelo Centro Interescolar de Segundo Grau do Itaum. Trabalhava numa ferramentaria quando, no dia 30 de abril de 1994, sofreu o acidente de moto em que perdeu a perna esquerda. E aí sua vida deu uma guinada. No dia seguinte, na cama do hospital, arrasado, assistiu à corrida em que morreu Ayrton Senna, e ali mesmo tomou algumas decisões: “Foi após a amputação que, ironicamente, minha vida mudou para melhor.
(…) Resolvi voltar a estudar, buscar qualificação profissional, inserção no mercado de trabalho”.


Dedicou-se à carreira de atleta paralímpico, conquistou muitas vitórias em competições locais, estaduais e nacionais e por pouco não disputou Jogos Paralímpicos: 



“A concorrência era grande, pois mesmo os nadadores com alguma deficiência eram grandalhões. Eu compensava a pouca altura com a boa envergadura dos braços”.

Seguindo a vida, Quintino casou-se, teve dois filhos, formou-se em educação física e começou a ensinar e incentivar novos talentos, crianças e adultos, pessoas com algum tipo de deficiência, a praticar natação. Seis anos depois do acidente em que perdeu a perna, o atleta deparou-se com o diagnóstico de retinose pigmentar, doença ocular que pode levar à perda da visão. “As coisas acontecem, não adianta ficar chorando”, diz ele, que novamente foi à luta em busca de informação e tratamento. Mudou de categoria, de S9 (amputados) para S12 (deficiência visual), e precisou se esforçar mais: “Passei a enfrentar adversários com todos os membros, e eu com uma perna a menos. No início era difícil, pois sem visão periférica eu tinha dificuldade até para nadar em linha reta”.


Para atenuar as dificuldades, Quintino usa óculos de natação mais claros, cor de rosa ou alaranjados.

Desde 2009, dedica-se mais ao trabalho como técnico de nadadores paralímpicos.

A agenda é carregada: “De manhã dou treino para os nadadores na AABB tanto para os paralímpicos como para os alunos em geral”.

Segredo? Nenhum. “Procuro cultivar a resiliência. Somos diferentes, mas somos capazes de mudar o mundo e torná-lo cada vez melhor.”


Conquistas
Quintino foi campeão brasileiro de natação paralímpica. Participou de seletivas para as Paralimpíadas de Atlanta, Sidnei, Atenas e Pequim. Foi bicampeão do Mercosul de Maratona
Aquática. Único atleta da modalidade a conquistar ouro em todas as edições dos Parajasc.


Como técnico, foi campeão dos Parajasc de 2009 a 2013; realizou 18km em mar aberto de Barra do Sul à Barra Velha e foi condutor da tocha paralímpica Rio 2016; como coordenador teve a equipe com maior número de atletas do Sul do Brasil com índice para disputar o Circuito Loterias Caixa Brasil Paralímpico.

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